Irmãos de crianças autistas, assim como de outras crianças especiais, tendem a amadurecer emocionalmente mais rápido, mostrando responsabilidade nos cuidados e preocupação com o irmão desde cedo. Ao mesmo tempo, podem assustar-se com alguns comportamentos do irmão autista, e até sentirem-se responsáveis ou com vergonha diante de outras pessoas. Conversar abertamente sobre o assunto, desde os primeiros anos de vida da criança, é a melhor forma de fazê-la entender esses sentimentos e também de transformá-la num companheiro do irmão.

Explicar que o irmão autista também pode brincar com ele, ainda que de forma diferente da de outras crianças, mostra a possibilidade de um relacionamento próximo e amoroso.

O primeiro passo é ensinar à criança que o irmão autista precisa de instruções claras durante as brincadeiras. Portanto, ao brincarem com bolas, por exemplo, ele precisa dizer exatamente o que o irmão deve fazer com a bola – chutar, jogar ou rolar. Os pais podem observar de que forma o irmão sem autismo dirige-se a outras crianças durante suas brincadeiras, dizendo a ele como deve adaptar essas falas quando estiver brincando com o irmão autista. Conforme a idade da criança, é comum que durante as brincadeiras elas usem gírias e figuras de linguagem para comentar e conduzir o jogo.  No caso de irmãos de autistas, deve ser explicado que provavelmente o irmão não entenderá esses comentários, o que pode interromper ou atrapalhar a brincadeira.  Portanto, é melhor que ele escolha outras frases e palavras com as quais o irmão está acostumado. E quanto mais eles brincarem entre si, mais natural será a interação, e ambos poderão desenvolver suas próprias expressões para indicar os diferentes momentos de uma brincadeira.

Envolver o irmão do autista durante a aplicação de recursos visuais, aproveitando o apreço natural da crianças por figuras e ilustrações, também é uma forma de transformar um momento didático, pedagógico, em algo lúdico, prazeroso.

O irmão de autista também pode ser transformado num importante aliado no ensino de práticas de habilidades sociais, desde que essa função não o sobrecarregue e nem seja imposta. Antes disso, porém, é essencial explicar a ele o porquê de determinados comportamentos do irmão autista, como crises de ansiedade e agressividade, gestos e falas repetitivos (ecolalia), auto-agressão e falar em voz muito alta. Durante a explicação, os pais devem usar palavras que a criança entenda, evitando explicações médicas ou muito técnicas. Assim que o irmão do autista tiver entendido a identificar essas situações, ele poderá aprender também algumas técnicas e sinais para evitá-las ou contorná-las.

Para acessar outros textos do blog sobre os assuntos abordados neste texto, clique nos links:

Ecolalia: quando o autista apenas repete palavras, frases ou perguntas

http://meunomenai.com/2013/07/27/ecolalia-quando-o-autista-apenas-repete-palavras-frases-ou-perguntas/

Técnica da antecipação para diminuir a ansiedade de crianças autistas

http://meunomenai.com/2013/07/10/tecnica-da-antecipacao-para-diminuir-ansiedade-de-criancas-autistas/

Irmãos de crianças especiais: fantasias com curas milagrosas e medo da morte

http://meunomenai.com/2013/08/01/irmaos-de-criancas-especiais-fantasias-com-curas-milagrosas-e-medo-da-morte/

O que fazer quando o autista tem o hábito de agredir a si mesmo

http://meunomenai.com/2013/09/11/o-que-fazer-quando-o-autista-tem-o-habito-de-agredir-a-si-mesmo-durante-uma-crise/

Dicas para autistas aprenderem a controlar a própria voz

http://meunomenai.com/2013/09/27/dicas-para-autistas-aprenderem-a-controlar-a-propria-voz/

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Fonte: Livestrong.