O cantor canadense Neil Young é pai de dois filhos com paralisia cerebral. Soube disso quando li o livro do jornalista brasileiro Diogo Mainardi, “A queda – as memórias de um pai em 424 passos”. No livro, Diogo relata as circunstâncias do parto do filho, que levaram à paralisia cerebral, e sua luta pelo desenvolvimento do filho. Ao ler a biografia de Neil Young, entretanto, soube que o próprio cantor descobriu que o que julgava ser uma paralisia cerebral do filho mais velho foi apontado mais tarde por um médico como seqüelas de um derrame sofrido pelo filho ainda no útero. O caçula, segundo o diagnóstico médico, possui de fato paralisia cerebral.

A descoberta explica, para Neil Young, a ocorrência de duas condições supostamente raras e genéticas em uma mesma família, mas com mães biológicas diferentes. O cantor afirma ainda que relutou em ter um terceiro filho, tendo consultado especialistas em genética antes de prosseguir com o plano. Tornou-se pai de uma terceira criança, uma menina saudável.

As histórias dos filhos são marcantes na biografia, e fica claro o quanto determinaram os rumos de sua vida. Mesmo quando descreve seu envolvimento com drogas, Neil Young demonstra uma espiritualidade que influencia seu entendimento e aceitação dos problemas de saúde dos filhos, de amigos e dele próprio, desde a infância. “Religião não é um dos meus pontos fortes”, admite ele. “Eu sinto, sim, o Grande Espírito em tudo ao meu redor, e me sinto humilde diante dessa grandeza”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com