Bom comportamento em casa, dificuldades na escala. Ou o contrário. Assim como qualquer criança, autistas podem ter diferentes comportamentos nos diversos ambientes sociais em que circulam. Se isto acontece com um autista, é provável que os responsáveis diretos pelos cuidados com ele nos dois ambientes não estejam agindo da mesma forma. Um deles – responsável pelo ambiente onde o autista apresenta bom comportamento – tem mais chances de estar no caminho certo, e pode oferecer dicas valiosas. Uma conversa inicial é o melhor caminho para descobrir o que pode ser mudado para conquistar o bom comportamento também naquele ambiente.

Os dois ambientes – casa e escola – têm rotinas e elementos essenciais, como lâmpadas, diferentes, pois suas prioridades são diferentes. Uma escola precisa pensar no bem-estar coletivo ao mesmo tempo em que leva em conta fatores como orçamento, logística e objetivos pedagógicos. Um lar, por sua vez, prioriza o bem-estar de cada indivíduo de acordo com suas necessidades. Assim, um dos primeiros pontos a se investigar diz respeito à sensibilidade e ao conforto físico da criança autista na escola.

É comum que escolas usem produtos químicos com cheiros fortes, que embora não incomodem outras crianças ou adultos, podem agredir olfatos mais sensíveis. Nem sempre, porém, a criança autista será capaz de identificar esse desconforto, ou mesmo expressá-lo.

Além disso, durante as aulas a criança costuma apoiar mãos, braços e por vezes o rosto nas mesas ou carteiras escolares, entrando em contato direto com o produto químico usado para limpá-las. Assim, além do cheiro, o produto químico pode provocar alergias, que, quando são brandas, podem não apresentar sintomas aparentes ou significativos, passando despercebidas. Uma sugestão é limpar, durante um período de teste, a mesa ou carteira que a criança utilizará apenas com água ou uma solução de limpeza natural, sem produtos químicos.

As luzes fluorescentes, normalmente utilizadas em escolas, também podem incomodar a criança autista. Para verificar se este é um fator que afeta o comportamento da criança autista, o professor pode experimentar, durante alguns dias, desligar as luzes fluorescentes. Se a luz natural não for suficiente para iluminar o ambiente, pode-se experimentar a substituição das lâmpadas fluorescentes por incandescentes.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com