Especialistas não estão em total acordo em relação à linguagem de pessoas com Asperger, transtorno do Espectro do Autismo. Enquanto alguns defendem que não existem atrasos significativos no desenvolvimento esperado da linguagem de portadores de Asperger, outros afirmam que sua linguagem é claramente diferente.

A diferença na linguagem de Aspergers pode ser resultante de algumas características do transtorno, como a incapacidade ou dificuldade para compreender as regras sutis de interação social, além de piadas e “pistas” sociais – indicações que as pessoas costumam dar sobre suas opiniões e impressões, seja sobre um assunto, rumo da conversa ou sobre a outra pessoa com quem se conversa. Por ter dificuldade em perceber essas pistas, a pessoa com Asperger pode ser rotulada como desagradável e inconveniente, prejudicando suas relações na escola, no trabalho e até na família.

A dificuldade em envolver-se em comunicação recíproca também acompanha as pessoas com Asperger, e muitos descrevem sua fala como a de um “pequeno professor”. O comportamento considerado estranho, porém, não é necessariamente resultado de desejo de afastamento. “Este é apontado como o ponto mais frustrante para os indivíduos com Síndrome de Asperger, pois os seus problemas sociais não parecem derivar necessariamente de uma falta de interesse nas relações sociais, e sim porque eles parecem apenas não saber como fazer essas relações sociais funcionarem”, afirma a pesquisadora Carla Maria da Silva Matos, autora do estudo “Compreensão de linguagem não-literal em crianças com Perturbações do Espectro do Autismo”.

O tratamento fonoaudiológico para pessoas com Asperger envolve o treino do contato visual e linguagem corporal, além do uso de imagens para explicar figuras de linguagem (metáforas, como a expressão “chovendo canivetes”). Um especialista também podem ensinar à pessoa como iniciar uma conversa, e treiná-la para que não interrompa a fala dos outros, o que Aspergers costumam fazer.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog http://www.meunomenai.com

Para conhecer o estudo completo, acesse o link: http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/7338/1/ulfpie042850_tm.pdf