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Como as mães podem participar do tratamento de seus filhos com paralisia cerebral? A partir desta pergunta, pesquisadoras observaram que, se as mães não receberem informações médicas abrangentes sobre a paralisa, sua participação no tratamento dos filhos poderá ficar limitada ao simples acompanhamento. Além disso, elas podem tornar-se dependentes da orientação de profissionais médicos, que nem sempre conhecem de perto as reais necessidades da criança, durante o processo de busca por estratégias que melhorem a condição dos filhos. “O estudo nos trouxe um alerta para o problema vivenciado por familiares, principalmente mães, de crianças com paralisia cerebral, que têm sua rotina alte­rada em virtude das necessidades impostas pela doença”, afirmam as pesquisadoras Kamilla de Mendonça Gondim, Patrícia Neyva Costa Pinheiro e Zuila Maria de Figueiredo Carvalho.

A pesquisa “Participação das mães no tratamento dos filhos com paralisia cerebral” aponta ainda estratégias de enfrentamento que facilitam o processo de reestruturação da família: melhoria da assistência em saúde, ampliando o olhar para a família e sua relação com a criança, e não apenas para a patolo­gia e acompanhamento dos profissionais em domicilio, conhecendo a realidade cotidiana dessas famílias. A participação ativa dos familiares no momento do tratamento, tendo suas opiniões levadas em conta sobre as melhores formas de lidar com o problema da criança e o fornecimen­to de explicações pelos profissionais sobre a patologia, prognóstico e evolução da criança também são destacados pelas pesquisadoras. “Assim, pais e profissio­nais ao trabalharem em conjunto podem obter mais resul­tados satisfatórios no desenvolvimento da criança”.

As pesquisadores afirmam ainda a importância de novos estudos que levem em conta os anseios de familiares de crianças com paralisia cerebral. “Muitos estudos são encontrados, mas com enfoque prin­cipalmente na fisiopatologia e tratamento, deixando uma lacuna quanto aos aspectos psicológicos das mães e dos familiares, elevando suas incertezas e reduzindo sua qua­lidade de vida”.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog meunomenai.com