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Proporcionar interação social a crianças e adolescentes autistas é uma das ações mais importantes do tratamento visando à melhoria na qualidade de vida deles. No entanto, apesar de a legislação garantir a inclusão escolar de crianças e adolescentes especiais, seus pais sabem que nem sempre essa é uma tarefa fácil ou harmoniosa. As dificuldades podem surgir tanto em função do despreparo ou resistência da escola e professores quanto da parte dos alunos, colegas ou não de classe. “É importante que as crianças com PEA estejam incluídas nas turmas de ensino regular se forem respeitadas as suas especificidades e necessidades, com os recursos humanos e os materiais necessários ao seu desenvolvimento e com atitudes e expectativas consistentes por parte de todos os agentes educativos”, afirma a pesquisadora Cláudia Paiva Martins.

Interessada em descobrir como os colegas sem necessidades especiais encaram a presença de crianças autistas em sua turma, a pesquisadora desenvolveu o estudo “Face a face com o autismo: será a inclusão um mito ou uma realidade?”.

Após analisar os resultados, Cláudia Paiva Martins concluiu que não existem vantagens significativas para as crianças com autismo ao estarem integradas nas turmas regulares, pois muitas não possuem atividade nem participação no ambiente escolar. Estas crianças, segundo a autora, não são solicitadas pelos seus colegas para brincar no recreio, trabalhar na sala de aula, participar em jogos ou ir a festas. “As dificuldades de interação social e de relação são o que mais as inibe de colaborarem com os seus colegas”, afirma.

Por outro lado, a pesquisadora encontrou indícios de que os colegas sem necessidades especiais não atribuem muita importâncias às dificuldades de comunicação e aos comportamentos disruptivos e estereotipados das crianças e adolescentes autistas.

A pesquisadora afirma que a inclusão escolar prevista na legislação brasileira só funciona, na prática, quando ambos os lados – alunos com necessidades especiais, de um lado, e alunos sem, de outro, ganham com a experiência. “Se isto se efetivar, talvez seja

possível melhorar a representação do aluno autista em relação à sua presença na escola e, por outro lado, criar novas representações mais positivas, que fomentem a sua presença na sociedade e, em alguns casos, no mercado de trabalho”, conclui o estudo.

 Texto escrito por Silvana Schultze, editora do blog www.meunomenai.wordpress.com

 Leia o estudo completo no link: http://comum.rcaap.pt/bitstream/123456789/2562/1/ClaudiaMartins.pdf