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A escola, seja qual for sua linha pedagógica, apresenta relações de poder nas quais os principais personagens são professor e aluno. O principal fator determinante dessas relações de poder é o próprio saber, em tese detido pelo professor. Quando o professor depara-se com um aluno com altas habilidades/superdotação, essa posição de poder é questionada, muitas vezes pelo próprio aluno. “Geralmente alunos questionadores e investigativos causam certo temor por parte dos professores, pois estes muitas vezes não querem admitir ao aluno que não sabe ou tem dúvidas sobre determinado assunto”, afirma a pesquisadora Giovana Mattei.

Autora do estudo “O professor e aluno com altas habilidades e superdotação: relações de saber e poder que permeiam o ensino”, a pesquisadora afirma que este temor muitas vezes expressa-se de maneira defensiva reprimindo ou ignorando os questionamentos dos alunos. “Os alunos portadores de altas habilidades, assim como outros educandos, acabam frustrando-se com o ensino e buscam outras alternativas muitas vezes inconvenientes ao professor (perturbando as aulas,“indisciplina”), enquanto outros acabam evadindo da escola”.

Nessas situações, alerta a autora, a palavra de ordem passa a ser o encaminhamento. “Encaminha-se para o coordenador, para o diretor, para os pais ou responsáveis, para o psicólogo, para o policial”, descreve. “Numa situação-limite, isto é, na impossibilidade do encaminhamento, a decisão, não raras vezes, é o expurgo ou a exclusão velada sob a forma das “transferências” ou mesmo do “convite” à auto-retirada”.

A pesquisadora propõe como alternativa a esse processo a revisão de métodos e diagnósticos aplicados aos alunos, buscando uma educação ampla e diversificada, que contemple a pluralidade cultural e intelectual dos alunos. “O aluno com altas habilidades ou superdotação pode apresentar comportamentos sendo o aluno mais aplicado em aula ou o contrário”, ressalta. Nem sempre, porém, a escola ou os professores estão atentos a essa ambiguidade. “Se a escola contemporânea tem-se apresentado cada vez mais como um espaço de confrontos que em muito ultrapassam aqueles relativos ao embate intelectual/cultural é possível supor, então, que seu âmbito padeça de uma certa ineficácia”, alerta.

O estudo completo pode ser lido no link: http://www.ldanaahs.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/18/1380/47008/arquivos/File/11_TEXTO_GP_ufsm_MATTEI.pdf