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Mulheres adultas, entre 47 e 50 anos, identificadas como superdotadas, mas que ainda relutam para reconhecerem-se como portadoras de altas habilidades. Decididas a descobrir o porquê dessa dificuldade, as pesquisadoras Susana Graciela Pérez Barrera Pérez e Soraia Napoleão Freitas resgataram a história de vida dessas mulheres. O objetivo era descobrir também algumas das razões que fazem com que mulheres com altas habilidades sejam identificadas em menor número do que homens.

Ao longo dos três anos em que acompanharam estas mulheres, as pesquisadoras perceberam uma aceitação progressiva da identidade de superdotada, após a identificação formal da condição.

Já foi observado que mulheres com altas habilidades/superdotação tendem a esconder essa característica de suas identidades, como forma de serem aceitas pelo grupo, e muitas vezes pelos próprios parceiros e familiares. Estudos também apontam que muitas mulheres canalizam suas altas habilidades em benefício de sua própria família. Assim, grande criatividade na resolução de problemas, atenção aos detalhes e capacidade de elaborar cardápios diferentes e bem-apresentados podem “denunciar” mulheres superdotadas aos mais atentos. Para muitos, entretanto, essas características não passariam de jogo de cintura e capricho no cuidar da casa, por exemplo. Atitudes socialmente aceitas e valorizadas, que não apresentam qualquer risco de exclusão ou discriminação.

A pesquisa “A mulher com altas habilidades/superdotação: à procura de uma identidade” observou que os discursos e atitudes das mulheres analisadas durante os três anos apresentaram mudanças positivas no decorrer do tempo. “Parte desse processo está alicerçado na troca com pares com Altas habilidades/Superdotação e na crescente discussão do tema”, ressaltam as pesquisadoras.

A identificação da superdotação, segundo as autoras, foi um fator decisivo na aceitação e reconhecimento das Altas habilidades por parte dessas mulheres. “Esse fato nos leva a defender que, além do atendimento educacional especializado para os estudantes com Altas habilidades/Superdotação, já previsto na legislação, deveríamos pensar ainda em estratégias específicas para o atendimento à mulher com Altas habilidades/Superdotação”.

A identificação formal da superdotação depende de vários fatores, e muitas vezes é motivada por questões formais, como a aceleração de séries escolares. Vale a pena refletir, entretanto, sobre sua contribuição para a construção e consolidação da identidade do superdotado, seja ele homem ou mulher. Uma vez pronta essa identidade, aumentam as chances de que o indivíduo busque seus pares, encontrando assim oportunidade de enriquecer não só seu próprio repertório de conhecimentos, mas também sobre ele próprio.

Texto escrito por Silvana Schultze, autora do blog http://www.meunomenai.wordpress.com

Conheça a pesquisa completa em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382012000400010&lng=pt&nrm=iso