Negação da autoridade do professor: pesquisa aponta como os docentes de ensino básico sentem-se com a unificação dos currículos escolares

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A política educacional de unificação dos currículos escolares implantada pelo governo estadual paulista em 2008 foi analisada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP pelo geógrafo, pedagogo e coordenador pedagógico Edjailson Bezerra da Silva. A principal conclusão da dissertação de mestrado foi que a medida deixou o papel do professor em segundo plano. “A proposta curricular desconsidera as especificidades de cada escola e aluno, estabelece um ensino baseado nas avaliações realizadas pelo próprio Estado e forma um aluno sem iniciativa para questionar e criticar sua condição e realidade, uma vez que o material que lhe serve como base do processo de aprendizagem é a única ‘verdade’ que lhe é oferecida”, destaca.

O pesquisador aplicou questionários a professores de dez escolas públicas estaduais da Diretoria de Ensino Sul 3, da capital paulista. Esta Diretoria de Ensino foi escolhida por ser a que abrange um maior número de escolas no estado de São Paulo. “As respostas de 202 professores forneceram um diagnóstico de como os docentes de ensino básico se enxergavam após a implementação do que viria a ser o Currículo oficial”, explica o autor.

Depois de todas as etapas de análise da pesquisa, Silva concluiu que a instauração de um currículo único na rede estadual de ensino foi feita para desenvolver uma cultura de aprendizagem comum a todos os estudante. “A homogeneização em nome da igualdade de oportunidades promove um maior controle do Estado sobre o trabalho do professor”, aponta o estudo. Partindo do princípio de que o ensino é uma ação intelectual, o pesquisador alerta que o professor precisa não apenas ter domínio, mas também ser capaz de criar e recriar formas de viabilizar o processo de ensino e aprendizagem.

De acordo com o autor, o novo sistema negligencia as diferentes formações culturais e de condição de aprendizagem dos alunos, impondo a restrita aplicação de sequências teórica/exercícios de uma apostila pronta para todos, que fixa o ritmo que a aula deve seguir e determina o tempo que o aluno deve levar para aprender. “Aquele que não acompanha é excluído do sistema de ensino”.

Conheça o estudo completo no site: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-14092012-101036/pt-br.php

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