A história de Ariel: autista, aos sete anos falou a primeira palavra; aos 13, a primeira frase. E aos 21, fala perfeitamente duas de suas vontades: comer pipoca e assistir “Comer, rezar, amar”

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Ariel tem 21 anos e é autista. Aos sete anos, falou pela primeira vez. Uma única palavra, mas que serviu para emocionar sua mãe, Ednah Lanah, que não se conformava com o prognóstico médico de que o filho jamais falaria. Ariel apresenta um quadro de extrema hiperatividade, e a mãe lembra que em função disso não conseguiu tratamento fonoaudiólogo em Ferraz de Vasconcelos, onde a família mora. Sem condições financeiras de custear um tratamento particular, Ednah arregaçou as mangas e iniciou sua própria terapia. Personalizada, e baseada na observação atenta e amorosa de cada reação do filho em seu dia-a-dia.

Tudo começou quando Ednah, ao perceber que Ariel ria quando as duas irmãs mais novas repetiam a frase preferida de um personagem de novela, passou a usar a mesma frase para referir-se a ele: “Eita Lelê!”. Repetiu, repetiu, até que um dia finalmente Ariel falou, ou como se lembra Ednah, gritou: “Eita!”.

Ednah não descansou, repetindo ainda mais a palavra – ao se referir aos personagens de TV, jogadores e times de futebol que Ariel gostava. Logo virou uma brincadeira, e até o sabonete usado na hora do banho virou “eita-sabonete”.

A brincadeira durou seis anos, e aos treze anos Ariel falou sua primeira frase. A emoção desta vez foi tão grande que Ednah nem conseguiu guardar qual foi a frase. A partir daí ele iniciou a fase da fala ecolálica, repetindo tudo o que a mãe falava, porém sem intencionalidade. Suas frases não estavam dentro de algum contexto, eram soltas. Pode-se dizer que naquele momento Ariel aprendera a falar, mas ainda era um ato mecânico. O processo de aprendizagem da linguagem, porém, havia começado, o que já era uma grande vitória, essencial para as próximas fases.

Aos poucos, vieram as primeiras perguntas: “Cadê a mamãe?”, e “O papai vai chegar de noite?”. Hoje, sua linguagem é praticamente normal, e apesar de certa dificuldade, consegue se fazer entender por pessoas com quem não convive diariamente. Pede pipoca quando deseja, por exemplo, e num sábado à noite comunica que vai assistir ao filme “Comer, rezar, amar”.

Mesmo seguindo sem terapia fonoaudiológica ou qualquer outro tipo, os progressos de sua fala continuam, e a articulação das palavras melhora a cada dia. Seu desenvolvimento motivou sua mãe, e hoje ela participa da ONG criada por outras duas mães de autistas, Suely Oliveira, presidente, e a amiga Jô. A ONG foi criada em Ferraz de Vasconcelos e reunirá profissionais especializados. A meta agora é conseguir um espaço próprio e recursos financeiros.

Nada que desanime Ednah Lanah. Quem já enfrentou tantas dificuldades – como a hiperatividade excessiva de Ariel, sua própria falta de conhecimento sobre autismo e as crises de agressividade que vez ou outra ainda acometem o filho, além de ter que conciliar os cuidados com o filho com os oferecidos às outras duas filhas menores – sabe que as vitórias diárias são suficientes para dar forças a quem tem uma grande luta pela frente.

23 Comments

  1. muito bonito e muita garra tenho um com 32 anos que me ajuda nas tarefas domesticas tb.,faz pequenas compras no sacolão e vai na apae sozinho…

  2. Conheço de perto a história dessa mãe que arregaçou as mangas e foi a luta por amor a seu filho, por viver situação muito parecida. Estes filhos não deixam de merecer o amor da mãe…. Não é possível entrar na “fila e trocar o filho”. Parabéns! Por isso, a minha pequena capacidade de entendimento “não entende” o CFP na Luta Antimanicomial, será que não deveria lutar por serviços humanizados e mais competentes a essas famílias e seus filhos?

  3. Acabei de ler a minha história e do meu filho Murilo, diagnosticado autista aos 2 anos, a fase inicial foi muito parecida, até a fase do pipoca filme foi muito semelhante, a única diferença é que o Murilo acabou de fazer 5 anos, também usava muito personagens , falas de filmes e comerciais que chamavam sua atenção para estimular a sua fala, jogos etc….
    hoje quase vejo uma outra criança sua comunicação é muito boa se faz entender muito bem, sei que a luta continua, exemplos de mães como os seus nos inspiram e muito , parabéns pela sua garra e vamos continuar lutando pelos nossos filhos.
    o nosso pai Celestial só manda seus filhos especiais para terra aos cuidados de pessoas mais especiais ainda.

      1. Bom dia Nara
        Conheço sim meu filho, ele está no pré ll , no proximo ano ira iniciar o fundamental, , ele já lê , reconhece todo o alfabeto, numeros , formas geométricas, cores, ele joga jogas de raciocinio logico, está melhorando cada dia o seu relacionamento na escola, aqui sou muito bem ampara a creche tem acompanhamento de profissionais em autismo ele tem apoio num centro chamado TGD, onde ele é muito estimulado, aqui em Araucária Pr fazem um trabalho magnifico temos se não estou enganada nesse ano uma m´dia de 30 autistas inclusos em creches e escolas regulares, anota meu email edineia.b.souza@gmail.com, meu face Edinéia de Souza Bernardino ai poderemos trocas experiências.
        Um grande Abraço

  4. oi fiquei muito feliz em saber sua história Ariel, eu também tenho um menino de cinco anos que não fala é autista, as vezes paro pra pensar mas não dá tem que seguir em frente. suas conquistas me alegram de esperanças de que o meu anjo vai falar,Deus na sua infinita misericórdia ns dará a benção,meu sonho é ouvir a voz ndo meu filho beijos muito obrigado

    1. olá Andrea
      Sei que a luta não é facil mais a recompensa não tem como descrever eu fui ouvir o meu primeiro mãe do Murilo aos 3 anos, foi aquela euforia , vamos conversar aprendi muita coias que faço com ele em casa também quem sabe possa te ajudar .
      Meu email edineia.b.souza@gmail.com face Edinéia de souza Bernardino, me procure.
      Um grande abraço.

  5. Sensacional, me vi em varios pontos, meu pequeno se chama João Vítor, mas, o chamo desde bebe de lele…tudo e lele ou lelinho… Bom ler historias como a sua, me da muito mais energia, porque a mensagem que recebo é a de que sou uma no meio de outros tantos travando a mesma luta, buscando as mesmas vitorias, sem desanimar ou desistir…. beijos Ednah, Ariel e a todos

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