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A grande imprensa recorre a diversas fontes para cobrir matérias sobre o meio ambiente? Essa é uma das perguntas que nortearam a pesquisa “A cobertura jornalística sobre poluição do solo por resíduos: uma análise da produção dos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo da Rio-92 a 2007”. A autora, Maria Daniela de Araujo Vianna, defendeu sua tese de doutorado na unidade de Ciência Ambiental da USP, e concluiu que a maior parte das coberturas feitas pelos dois jornais no período de 15 anos traz uma abordagem desconexa, pontual e alarmista sobre o tema. “Embora o volume de textos sobre meio ambiente seja maior na atualidade do que no passado e exista maior número de reportagens contextualizadas, isso ainda é a exceção, e não a regra nas redações”, afirma.

A autora destaca ainda que as matérias mostraram-se presas a uma visão reducionista da realidade, buscando emoldurar histórias e encaixar nelas papéis de vilões e mocinhos, justiceiros e vítimas. “A qualidade está mais associada a iniciativas individuais de profissionais do que a decisões institucionais de grupos de comunicação”.

Cientistas e jornalistas entrevistados para o estudo refletiram sobre caminhos possíveis para a cobertura jornalística sobre meio ambiente, e apontaram, entre outras coisas, a aproximação e o melhor entendimento entre jornalistas e cientistas como fatores importantes para a qualificação do debate ambiental mediado pela imprensa no Brasil.

Fonte: Universidade de São Paulo.