Propagandas usam técnicas sofisticadas para atingir crianças, que não identificam manipulação; pesquisadores defendem maior rigidez na regulamentação brasileira

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O crescimento do poder de consumo do brasileiro não passa despercebido pelas agências de publicidade. Convencer o público a comprar por meio de anúncios na televisão é uma das formas mais disseminadas de publicidade, mas a prática assume complexidade e se torna perigosa diante da frágil regulamentação brasileira a respeito do assunto. “No caso do público infantil, a mídia lança mão de estratégias voltadas não somente para as próprias crianças, como também para seus pais, responsáveis e cuidadores, isto é, em última instância, os que definem a escolha e aquisição dos produtos e serviços anunciados”, afirmam os autores do estudo “Publicidade infantil: uma análise de táticas persuasivas na TV aberta”.

Fabio Iglesias, Lucas Soares Caldas e Stela Maria Santos de Lemos, da Universidade de Brasília (UNB), ressaltam que em comparação com países europeus e da América do Norte, a legislação brasileira é limitada. “A frequência elevada de táticas de persuasão é uma evidência de exposição de crianças a táticas sutis, contra as quais não têm ainda muita capacidade de resistência em função de seu desenvolvimento cognitivo”, ressaltam.

O estudo avaliou 182 peças publicitárias veiculadas nos intervalos comerciais de um programa infantil de elevada audiência da televisão aberta, duas semanas antes do Dia das Crianças. A análise revelou como principais táticas dos anunciantes a definição de um critério de decisão pela criança, a simulação de consenso social, o contar de histórias e a modelagem social. Isso quer dizer que os anunciantes brasileiros que querem atingir o público infantil não têm pudores em usar discursos nas propagandas como “Peça já para o seu pai” e “Você não vai querer ficar de fora”.

Quem não se lembra da célebre e manipuladora propaganda de bicicleta onde as crianças eram induzidas a espalhar bilhetes pela casa para que os pais não se esquecessem de comprar a bicicleta, ou outras em que crianças pequenas aparecem batendo os pés e gritando “Eu quero! Eu quero!”?

Os pesquisadores observaram que a tática mais frequente foi a de definir o critério de decisão, que apareceu em quase todas as propagandas. “Os resultados indicaram uma grande diferença no uso de táticas de persuasão entre as empresas anunciantes, o que sugere que elaboram diferentes e sofisticadas estratégias para a promoção de seus produtos”, concluem. “Isso reflete a necessidade de avanços na regulação da publicidade voltada para crianças, devido à sutileza de algumas táticas e ao fato de ser praticamente impossível a criação de uma peça publicitária livre de algumas que se mostraram constantes”, defendem os autorem.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822013000100015&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

One thought on “Propagandas usam técnicas sofisticadas para atingir crianças, que não identificam manipulação; pesquisadores defendem maior rigidez na regulamentação brasileira

  1. Que não identificam manipulação? Isso é lavagem cerebral através de psicologia neuro linguistica. Acorda para a realidade, pois está totalmente alienado!

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