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Número de pessoas com gatos de estimação aumenta, mas campanhas de vacinação ainda estão focadas em cachorros

O estilo de vida moderno, com muito tempo perdido no trânsito e moradias cada vez menores, vem  causando o aumento no número de pessoas que optam por adotar um gato como animal de estimação.

As autoridades, entretanto, parecem não ter se dado conta disso, e as campanhas de vacinação contra raiva continuam centrada em cachorros. Normalmente realizadas a céu aberto, com grande presença de cães, o modelo dessas campanhas inibe a adesão de pessoas que queiram vacinar seus gatos.

O pesquisador Gelson Genaro, autor do estudo “Gato doméstico: futuro desafio para controle da raiva em áreas urbanas?”, afirma que, em breve, esse modelo de vacinação antirrábica deverá ser revisto. “As características etológicas do felino doméstico deverão ser consideradas para se estabelecer estratégias mais adequadas para que se vacine o número de animais recomendado”, recomenda.

O objetivo da pesquisa de Gelson Genaro foi estimular o debate a respeito da presente e, possivelmente, da futura relevância crescente do gato doméstico, no que se refere à saúde pública, com ênfase para a raiva (animal/urbana). “A literatura científica que trata do papel específico do gato em relação às zoonoses ainda é reduzida”, alerta ele.

Segundo o estudo, a raiva é, ainda hoje, grave problema de zoonose, entretanto, sua importância é relativa, segundo o local estudado, observando-se situações diametralmente opostas como: encontra-se erradicada em alguns países e em outros (por exemplo, na Índia) há situação preocupante ainda registrada, e vários países do Continente Sul-Americano vivem situação preocupante.

O pesquisador chama atenção ainda para o crescente abandono e pouco cuidado que a população humana dedica a seus animais domésticos, em particular nas cidades brasileiras. Ele menciona estudos que apontam que apenas 1/3 dos gatos passam sua vida com o mesmo dono, e um dos motivos é o abandono. “Esses números são especialmente preocupantes se considerar isso uma tendência que pode ser reproduzida também em nosso país”, conclui o autor.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-736X2010000200015&lng=pt&nrm=iso