Imagem

Atrasos no diagnóstico do autismo fazem com que o tratamento seja tardio, correndo o risco de ser mais complexo ou menos eficiente em função da cristalização dos sintomas da síndrome. Para evitar que isso ocorra, as psicólogas Mariana Rodrigues Flores e Luciane Najar Smeha propõem a intervenção precoce, a partir do momento da detecção de risco de autismo. “Em sua maioria, há grande desconhecimento dos médicos em relação à percepção dos sinais indicativos de risco para o autismo (distonias musculares, recusa do olhar, perturbações no sono, intolerâncias alimentares, entre outros), já que se detêm apenas nos menos sutis que aparecem mais tarde no desenvolvimento, como a ausência de linguagem”, afirmam.

Autoras do estudo “Bebês com risco de autismo: o não-olhar do médico”, as pesquisadoras entrevistaram neuropediatras e pediatras e observaram que a detecção precoce não faz parte de suas realidades. Por outro lado, ficou evidente que a maioria dos participantes sente necessidade de formação adequada dedicada à percepção mais precoce do risco de autismo. “Isto é bastante animador, porque abre as portas para que a Psicanálise adentre os consultórios e trabalhe em conjunto com os médicos da primeira infância em prol dos bebês, especialmente na promoção da saúde mental”.

O estudo aponta como sintomas físicos do autismo dificuldades na alimentação, irritabilidade, atrasos no engatinhar, no andar e no sentar, entre outros. A relação entre a mãe e o bebê também deve ser observada, em especial a troca de olhares: se ele busca ativamente o olhar da mãe, e se responde à sua fala.

De acordo com as autoras, muitos psicanalistas vêm trabalhando com clínica de bebês e percebem resultados favoráveis porque os tratam tendo em mente a suposição de um sujeito ainda em vias de constituição, no qual há possibilidade de (re)estruturar o circuito pulsional que, no caso do autismo, não foi completado. “Há intervenção na relação do bebê com as figuras parentais, sobretudo com o Outro primordial, para operar justamente na fratura dessa relação, ou seja, recolocar o laço funcional com o Outro”, explicam.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-14982013000300010&lng=pt&nrm=iso