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A temporalidade pode favorecer a organização das transformações na condição de um paciente de fisioterapia, levando a uma integração de suas memórias da condição anterior ao tratamento, seus desejos, medos e expectativas quanto ao futuro. A análise faz parte da dissertação de mestrado ”Por que ir à fisioterapia? Um estudo microgenético de expectativas de pacientes e adesão ao tratamento”, defendida no Instituto de Psicologia da USP.

A autora, Larissa Laskovsi, analisou os dados pelo método microgenético, o qual busca investigar o processo de construção de conhecimento do indivíduo em face de situações novas que ele experimenta e que o desestabilizam, e que pode capturar novidades que emergem no processo. Nas sessões, em interação com o fisioterapeuta, cada participante apresentou construções simbólicas particulares sobre suas ações nas sessões de fisioterapia. “Os resultados das análises revelaram diversificadas maneiras de cada paciente atribuir significado para o aspecto do tempo no seu percurso na fisioterapia, trazendo implicações para o programa terapêutico”, ressaltou a pesquisadora.

Larissa Laskovsi destaca ainda que o profissional pode estimular ou inibir a vontade de participação do paciente no tratamento, a depender de suas ações e metas serem coordenadas ou não com as ações e metas do outro. “Como consequência, há incentivo para vontade do paciente em participar da fisioterapia porque constata que as ações do profissional e do tratamento estão voltadas para suas metas”.

O estudo destaca ainda a participação dos familiares e de equipe multidisciplinar e a vontade do próprio paciente de melhorar para o sucesso na reabilitação. “Para o continuado replanejamento do tratamento na busca de efetiva melhora da qualidade de vida dos indivíduos é necessário para o fisioterapeuta conhecer sobre as inquietações, desejos e expectativas desses pacientes”.

Os objetivos da pesquisa foram investigar as razões que levam o paciente a frequentar a fisioterapia, compreender o que o fisioterapeuta representa para o paciente em tratamento, bem como o processo de empatia, que se constrói na relação fisioterapeuta-paciente e investigar as tensões geradas pela ruptura de expectativas do paciente e do fisioterapeuta, além de analisar a temporalidade dos processos de relação do paciente consigo e com os outros (o fisioterapeuta aí incluído) e, por fim, identificar os valores positivos e negativos atribuídos pelos pacientes às experiências consigo mesmo e com os outros (o fisioterapeuta aí incluído).

Fonte: Universidade de São Paulo.