Imagem

O termo ocupação dá margem a uma série de interpretações, e o provérbio “cabeça vazia, oficina do diabo” é aceito por estudantes de terapia ocupacional como parte do senso comum. Quando ele é associado à terapia ocupacional em si, entretanto, estes estudantes entendem que ele pode prejudicar a imagem da profissão. Esta análise é parte do estudo “Cabeça vazia, oficina do diabo”: concepções populares do termo ocupação e a terapia ocupacional”.

A autora, Teresinha Cid Constantinidis, discutiu os significados do termo ocupação e as implicações na terapia ocupacional na perspectiva de futuros profissionais da área. Os dados obtidos na pesquisa com os estudantes apontaram discursos comuns entre eles em três categorias: ócio, ou tempo livre, valores associados à ocupação e ocupação e a terapia ocupacional

Para os estudantes, esse termo foi valorado positivamente quando associado ao provérbio, porém, rejeitado quando associado à terapia ocupacional. “A rejeição da associação do termo à profissão afasta a terapia ocupacional do domínio público, do senso comum e busca sua demarcação no discurso científico”, destaca a pesquisadora.

Ela ressalta ainda que, mesmo que esses estudantes neguem ou evitem a associação do termo à profissão, a terapia ocupacional tem suas intervenções dimensionadas pela ocupação, assim como seu campo de estudo é relacionado ao cotidiano, lidando com subjetividades, sistema de valores e verdades ligados à ocupação normatizadora e ao ócio desorganizador.

“Um movimento de apropriar-se do termo, analisando-o de forma crítica, ou até mesmo tentando superá-lo de forma explícita, situando-o na teia de significados que sustenta a realidade da terapia ocupacional no discurso científico, possa ser um meio interessante para produzir novos conhecimentos na área”, conclui.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822012000300022&lng=pt&nrm=iso