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Qual o papel das mães e avós no aumento da obesidade infantil no Brasil? Falta de coesão em torno das normas alimentares da casa e de limites à criança, conflitos conjugais e familiares, além da dificuldade de adequar o ambiente às recomendações solicitadas por profissionais como médicos e nutricionistas são fatores que podem contribuir para o avanço da obesidade infantil no Brasil.

Os fatores são apontados pelas pesquisadoras Priscilla Machado Moraes e Cristina

Maria de Souza Brito Dias, autoras do estudo “Nem Só de Pão se Vive: a voz das mães na obesidade Infantil”, que analisou crianças entre oito e dez anos atendidas em ambulatório de referência para obesidade infantil. O objetivo da pesquisa era compreender os elementos presentes na história familiar de crianças com obesidade.

De acordo com as pesquisadoras, crianças obesas começam a pensar que são diferentes de tanto serem tratadas assim. “É como se elas não pertencessem a lugar nenhum, exceto quando encontram outra criança na mesma condição que a sua”, destacam. “Começam a se sentir incapazes para fazer qualquer coisa, ficam desmotivadas e acham que não adianta tentar, afinal, elas não conseguirão mesmo”.

Quando a autoestima está muito baixa, ressaltam as autoras, crianças obesas começam a se achar insignificantes e, por vezes, acabam encontrando uma forma de se relacionar com os colegas, sendo as boazinhas do grupo e fazendo o que outros não fazem na esperança de agradar.

As autoras destacam ainda que o Brasil é considerado um país em transição nutricional, pela substituição da desnutrição – decorrente da escassez de alimentos – pela obesidade, devido ao excesso e à inadequação do consumo alimenta, e que a obesidade infantil vem causando a precocidade de conflitos entre pais e filhos. “A prevalência da obesidade reflete as profundas modificações que a sociedade vem passando ao longo dos anos: saída da mulher para o mercado de trabalho, proliferação das redes de fast-food e mudanças das brincadeiras infantis que faziam despender energia para o uso de games em computadores”.

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/pcp/v33n1/v33n1a05.pdf