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Existem diferenças entre alunos superdotados, alunos não superdotados e seus pais (ou responsáveis) quanto a fatores familiares relacionados à comunicação, uso do tempo, ensino, frustração ou satisfação com os comportamentos do filho? Necessidade de informação sobre temas que auxiliem na educação do filho e expectativas parentais acerca do desempenho do filho também apresentam diferenças entre pais de alunos superdotados e de não superdotados?

A partir dessas perguntas, as pesquisadoras Jane Farias Chagase Denise de Souza Fleith desenvolveram o estudo “Estudo comparativo sobre superdotação com famílias em situação socioeconômica desfavorecida”.

A partir da análise de 28 famílias do Distrito Federal, sendo 14 com superdotados e 14 sem filhos superdotados, as pesquisadoras utilizaram três instrumentos na pesquisa: Inventário de Sucesso Parental (PSI), Teste de Pensamento Criativo (TCP-DT) e questionário sobre características individuais e familiares do superdotado.

Os alunos superdotados participantes do estudo foram avaliados e eram atendidos na sala de recursos do programa da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, e os critérios para determinação da superdotação foram baseados no conceito do Modelo dos Três Aneis, proposto por Joseph Renzulli: habilidade acima da média, envolvimento com a tarefa e criatividade.

As pesquisadoras observaram que os pais e responsáveis tanto de superdotados quanto de não superdotados avaliaram o nível de comunicação e sua satisfação em relação a comportamento dos filhos de forma mais positiva do que os próprios filhos. Além disso, pais de alunos superdotados tiveram maior participação na vida acadêmica de seus filhos.

O desempenho superior dos alunos superdotados nas avaliações de criatividade ficou evidente para as pesquisadoras, que chamam a atenção para o papel que a família pode desempenhar no estímulo de habilidades, talentos e interesses. E esse papel é, sobretudo, marcado pela participação dos pais nas atividades escolares, assim como pela comunicação e valorização do (bom) comportamento de seus filhos.

A boa notícia é que essas três atitudes exigem muito mais boa vontade e disposição dos pais do que propriamente recursos financeiros, como ficou evidente na pesquisa, que analisou somente famílias de baixa renda.