Interesse de alunos do Ensino Fundamental por matemática aumenta após oficinas

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Alunos do Ensino Fundamental que participaram de oficinas dos jogos Kenken e Feche a Caixa mostraram-se mais interessados nas aulas de matemática e afirmaram que passaram a gostar mais da disciplina. Esse resultado foi observado pela psicóloga Talita Lima Queiroga, e descrito em seu trabalho “Jogos de raciocínio lógico-matemático em alunos da Escola Fundamental II”. A pesquisa foi realizada durante pós-graduação no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Com o objetivo de estudar o raciocínio lógico-matemático em alunos de ensino fundamental, a psicóloga analisou os aspectos lógico-matemáticos dos jogos e observou como esse tipo de raciocínio se manifestava nos alunos, enquanto resolviam os desafios propostos. Além de verificar o desempenho dos alunos, a psicóloga analisou com os alunos lidam com os erros e acertos e argumentam suas respostas.

Criado em 2004 no Japão, o jogo Kenken é similar ao Sudoku: deve ser completado com números sem que eles se repitam em uma linha ou coluna. O tracejado mais escuro forma um bloco, onde a primeira casa contém um número e um sinal, representando, respectivamente, o resultado que deve ser obtido e a operação matemática que deve ser utilizada para chegar a tal resultado.

O Feche a Caixa, além de incluir raciocínio lógico e operações aritméticas, envolve também a sorte, pois as jogadas dependem de resultados de dados. O jogo tradicional é composto por nove caixas (ou casas) com números visíveis. O jogador lança dois dados e os resultados obtidos devem ser somados. Em seguida, abaixa-se a caixa, ou as caixas, correspondentes ao valor da soma dos dados. As caixas abaixadas permanecem assim até o fim da partida. Quando o total de pontos não permitir fechar mais nenhuma casa, o jogador somará os valores que continuam expostos e, quem atingir primeiro os 45 pontos, perde.

No Kenken, os alunos erraram pouco: em apenas 11,6% dos jogos entregues à pesquisadora apresentavam algum tipo de erro. O mesmo resultado foi observado quando os jogos foram passados como tarefa de casa. Entretanto, apenas 15,5% das jogadas foram resolvidas sem a necessidade de jogadas excedentes.

A porcentagem de erro no Feche a Caixa foi maior: 22%. “É interessante observar que, embora o Feche a Caixa exigisse operações matemáticas consideradas pelos alunos como mais simples, os erros de cálculo foram mais frequentes nesse jogo do que no Kenken”, destaca a psicóloga.

A pesquisadora realizou ainda torneios, e apesar de observar que a competição aumentou a motivação, concluiu que a ansiedade também foi maior, tornando os alunos mais suscetíveis a erros. “O errar faz parte da vida e, muitas vezes, pode resultar em uma aprendizagem”, afirma.

Talita Lima Queiroga destaca ainda que durante as oficinas ocorreu o chamado Ciclo Virtuoso, que segundo o professor da USP Lino de Macedo, orientador da pesquisa, consiste em jogar para aprender matemática. “Jogar para aprender matemática, aprender matemática para jogar melhor, jogar melhor para competir, competir para se aperfeiçoar, aperfeiçoar-se para tornar-se mais desenvolvido no jogo do conhecimento, no jogo da escola”, conclui a psicóloga.

Fonte: Universidade de São Paulo

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