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Uma exposição dividida em módulos, com mais de 440 itens e cheia de gavetinhas que qualquer um – inclusive as inquietas crianças, para alívio dos pais sempre cheios de dedos – pode abrir e remexer à vontade. Assim é “Ocupação Mário de Andrade”, que será inaugurada para o público na próxima sexta-feira, dia 28 de junho, no Instituto Itaú Cultural.

Autor de “Macunaíma” e um dos idealizadores do Modernismo no Brasil, Mário de Andrade era também formado em canto e piano, e se empenhou para realizar concertos e apresentar ao grande público a música erudita de vanguarda. Com as limitações de sua época, inclusive técnicas, moveu mundos e fundos para conseguir esse feito. Utilizando todos os seus contatos – sim, Mário de Andrade já era uma pessoa conectada, antes mesmo do termo ser disseminado – conseguia discos emprestados para que as pessoas conhecessem compositores como Stravinski, uma das grandes novidades de meados da década de 1930. O Brasil não contava com orquestras aptas a executar as peças, e até mesmo o gramofone era raro. E assim nascia a Discoteca Oneida Alvarenga, existente até hoje no Centro Cultural São Paulo.

Funcionário público, sorriu e chorou ao exercer a função, lutando para difundir a literatura, sobretudo a infantil, não só na capital paulista, mas também pelo Estado. Visionário, concebeu parques infantis – os precursores do atual Centro Educacional Unificado (CEU) – nos quais as crianças em idade pré-escolar eram entretidas com atividades artísticas. Suas jardineiras, espécie de caminhão que levava livros e bibliotecários a espaços públicos da capital, levaram à criação de bibliotecas circulantes e especializadas.

Uma mente inquieta, brilhante, que até o dia 28 de julho poderá ser relembrada e homenageada, ao som da Pauliceia dos anos 1930, marcada pelo burburinho das pessoas, do telégrafo, do telefone e da máquina de escrever, como sua fiel Manuela, que conta com uma réplica na exposição.

Visite o site da exposição em http://www.itaucultural.org.br