Trabalhando com crianças com autismo: saúde e educação

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Existe uma necessidade crescente de incluir experiências interprofissionais na educação para a saúde de graduação. A simulação é uma metodologia venerada como capaz de facilitar as oportunidades de aprendizagem interprofissional em um ambiente seguro e estruturado. O artigo “Trabalhar com crianças com autismo: um tutorial interprofissional baseado em simulação para estudantes de patologia da fala e terapia ocupacional” apresenta projeto que teve como objetivo desenvolver, testar e avaliar um tutorial interprofissional de simulação utilizando recursos de DVD.

No total, 70 estudantes de patologia da fala e 76 estudantes de terapia ocupacional participaram de uma peça de papéis envolvendo imagens e documentação de DVD para facilitar o planejamento e análise de dados de avaliação para uma criança com autismo. Questionários pediram aos participantes que classificassem suas experiências percebidas em 13 itens usando uma escala Likert de 5 pontos, bem como três perguntas abertas. Os resultados revelaram reações positivas e sugeriram que os estudantes sentiam que os objetivos de aprendizagem foram cumpridos.

Muitos estudantes expressaram interesse em se engajar em mais experiências de aprendizagem interprofissionais. Tomados em conjunto com outros estudos semelhantes, as oficinas baseadas em simulação interprofissionais que usam imagens de DVD podem fornecer uma alternativa gerenciável às modalidades tradicionais de aprendizagem interprofissional, em particular ao incorporar clientes com deficiências complexas e de desenvolvimento.
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Pesquisa “Mulheres, literatura e processo saúde-doença”: resultados preliminares

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Até o final de novembro de 2017, seis escritoras participaram da pesquisa: duas dedicam-se à literatura como atividade profissional principal, duas como atividade profissional paralela, e duas como hobby. Todas são originárias da região Sudeste, , onde cinco vivem até hoje, e uma delas, vive na Europa.

A escrita de quatro delas foi afetada por um câncer, tendo duas delas especificado como câncer de mama. Destas, uma referiu-se ao câncer que acometeu um irmão, uma ao câncer que acometeu um amigo de infância. As duas restantes foram afetadas por um mielosarcoma e por depressão.

Os sentimentos emergentes das descrições das participantes da pesquisa são criatividade, determinação e bom humor, e foram referidos desfechos consequentes da doença, entre os quais a dedicação a um blog e a escrita de livros, além de atitudes como maior seletividade na utilização do tempo e relações de troca altruísta com pessoas ou entidades que se dedicam ao tratamento de doenças, como Doutores da Alegria.

Para participar da pesquisa, acesse o formulário por aqui. A participação é anônima. Este formulário é parte da pesquisa intitulada “Mulheres, literatura e processo saúde-doença”, e tem como objetivo investigar os percursos narrativos, processos criativos e impacto da doença entre escritoras brasileiras. Idealizada e desenvolvida por mim, a pesquisa pretende contribuir para os campos da Medicina Narrativa, da Literatura Contemporânea e da Saúde Pública, ao analisar os processos de reinvenção identitária e re-significação resultantes da escrita com temática relacionada a processos saúde-doença. Sou pesquisadora associada ao Centro Internacional de Estudos Atopos, da ECA-USP, e doutoranda na Faculdade de Saúde Pública da USP, além de membro do Grupo de Estudos GENAM, ligado à FFLCH-USP e à Faculdade de Medicina da USP. A participação na pesquisa é anônima e deverá resultar em artigos e apresentações em eventos, tais como o II Seminário de Comunicação e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP, a ser realizado em março de 2018.
Quem pode participar: mulheres brasileiras que se dedicam à escrita, que tenham passado por episódio de doença, individualmente ou através de pessoa próxima, tendo este episódio se tornado objeto de sua escrita, direta ou indiretamente.

Silvana Schultze

Depressão, ansiedade e parto

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Uma amostra sistemática de 950 mulheres grávidas foi recrutada em três maternidades da Turquia. Os participantes completaram avaliações de depressão, ansiedade, PTSS e apoio social na gravidez, 4-6 semanas e 6 meses pós-parto. O medo do parto foi avaliado na gravidez e 4-6 semanas após o nascimento. “Identificar os fatores que precipitam e manter os sintomas de estresse pós-traumático após o nascimento é importante para informar a prática clínica e de pesquisa”, informam os pesquisadores, autores do artigo “Fatores associados aos sintomas de estresse pós-traumático (PTSS) 4-6 semanas e 6 meses após o nascimento: estudo longitudinal baseado na população”, publicado em junho de 2017.

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Os resultados apontam que o estresse seis meses após o parto foi associado com ansiedade e PTSS na gravidez, complicações durante o nascimento, satisfação com os profissionais de saúde, medo do parto 4-6 semanas após o nascimento, PTSS e depressão 4-6 semanas após o nascimento, apoio social 4 -6 semanas após o nascimento, eventos traumáticos após o nascimento, necessidade de ajuda psicológica e apoio social 6 meses após o nascimento. Este estudo baseia-se na amostragem de hospitais públicos, por isso pode não representar mulheres tratadas em hospitais privados. O estudo conclui que fatores de risco associados podem ajudar a identificar as mulheres em risco de PTSS após o nascimento e a informar a intervenção direcionada precoce.

Para conhecer o estudo, acesse o link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28654849

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

Investigação genética e anomalias craniofaciais

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O Projeto “Investigação da Síndrome de Deleção 22q11.2 Utilizando Diferentes
Estratégias para Aplicação em Saúde” tem como objetivo identificar anormalidades no material genético de pessoas com suspeita de Síndrome de deleção 22q11.2.

O principal objetivo é identificar  Trata-se, portanto, de exame com caráter diagnóstico, que poderá contribuir para melhorar o conhecimento sobre essa doença. Outro objetivo é formar uma base de dados brasileira de pacientes com informações sobre características clínicas, causas, fatores de risco e história natural das anomalias craniofaciais. Esta Base de dados pertence ao Projeto Crânio-Face Brasil, coordenado pelo Departamento de Genética Médica da Universidade Estadual de Campinas e conta com a participação de outros centros e foi aprovada pelo CEP desta instituição com o CAAE 35316314.9.1001.5404 e pela CONEP
(14733).

Durante a consulta será preenchido um formulário com informações
sobre a história médica do participante e de sua família, gestação, parto, uso de medicamentos, desenvolvimento físico e mental, além de aspectos genéticos e clínicos. Também serão realizadas fotografias. Essas informações e fotografias
poderão ser coletadas e atualizadas a cada retorno para acompanhamento. O armazenamento dos dados é realizado em computadores na Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP.

O projeto é coordenado pela professora doutora Verla Lúcia Gil Lopes e é desenvolvido no Hospital de Clínicas da UNICAMP.

Quem quiser mais detalhes sobre o projeto, basta acessar o link: https://www.fcm.unicamp.br/fcm/sites/default/files/paganex/tale_del_22-unicamp_082015.pdf

Câncer de mama e informação

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Embora o aumento da pesquisa se centre em exames de câncer de mama, pouco se sabe sobre a prevenção do câncer de mama com consciência de redução de risco para diferenças étnicas entre mulheres na faculdade. O estudo “Conhecimento, crenças e fontes de informação de mulheres não-hispânicas e hispânicas na prevenção de câncer de mama para foco na redução de risco” examinou o conhecimento, as crenças e as fontes de informação de câncer de mama entre mulheres não-hispânicas e hispânicas.

As fontes de informação mais comuns relatadas pelas participantes foram Internet (75%), revistas (69%), provedor (76%) e amigos (61%). Menos fontes comuns foram rádio (44%), jornais (34%) e mães (36%). As mulheres universitárias não-hispânicas com história familiar de câncer de mama tinham maior probabilidade de receber informações de provedores, amigos e mães. Aquelas com história de câncer de mama foram mais propensas a receber informações de suas mães. A educação para a prevenção do câncer de mama para as mulheres da faculdade é necessária para incluir a redução de risco para mudanças de comportamento de saúde modificáveis ​​como um novo foco. Os profissionais de saúde podem se dirigir a mulheres da faculdade com mais fontes de informação, incluindo Internet ou aplicativos, conclui o estudo.

Texto de Silvana Schultze, para o blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

Para conhecer o estudo, acesse o link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24989348

Cultura, de produto a serviço

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Doutor e mestre em Ciências Sociais, além de mestre em Ciência Política, Direito Público e Filosofia, Frédéric Martel atuou em jornais e revistas, foi professor visitante nas universidades de Harvard e de Nova Iorque, além de ter lecionado no Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po).

Autor do livro Smart: o que você não sabe sobre a internet, Martel defende em sua obra que a cultura, que era um produto cultural, está se transformando em serviço. Nesse cenário, surgem o que o autor chama de “pequenos militantes da recomendação” (p. 319) – pessoas que, confiantes em seu próprio senso estético e capacidade de discernimento, assumem-se como responsáveis pela disseminação de suas opiniões.

O capítulo proporciona ao leitor uma das percepções mais claras da visão que o autor tem sobre a arena em que se transformou a internet. Da diversidade de entrevistados selecionados à leveza com que apresenta seus discursos, Martel é especialmente feliz na sua abordagem dos progressos da algoritmia, apontado o que ele considera o risco de, ao fornecer-lhe apenas o que ele já consome, enfeixar o usuário numa bolha, fortalecendo o vínculo com uma comunidade à qual este já usuário já pertence – e deixando de estimulá-lo a ampliar seus horizontes (p. 321). Diante desse risco e de outros desdobramentos que a oferta de cultura como serviço acarreta, um dos caminhos pelos quais a leitura pode ser conduzida leva à cena cibercultural contemporânea, explorada por teóricos diversos.

Texto escrito por Silvana Schultze, do blog Meunomenai. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

China digital, Smart e Alibaba

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A China Digital é uma das etapas que o pesquisador Frédéric Martel percorreu para escrever seu livro Smart: o que você não sabe sobre a internet. Para compreender o fenômeno do Alibaba, símbolo da web chinesa fundada em 1999 por Ma Yun, especialista em artes marciais e professor de inglês que ficou bilionário. “A imagem seria quase perfeita, e a história, uma notável sucess history, se o Alibaba não fosse um clone”, afirma Martel, referindo-se à mistura de negócios incorporada pelo site chinês conhecido como “o maior bazar do mundo” (p. 42). Mistura de Amazon, eBay e PayPal, o Alibaba ultrapassa em volume de negócios as três plataformas que lhe serviram de inspiração juntas, tornando-se um império que em 2014 passou a ser cotado na bolsa de Nova Iorque, “numa operação financeira que foi ao mesmo tempo a maior estréia de uma empresa tecnológica na história e o valor mais alto alcançado por uma empresa chinesa” (p. 42).

Para Martel, as cópias são a solução inventada pela China para resolver, simultaneamente, problemas existenciais e de criatividade. “Visitando a maioria dessas cópias numa dezena de grandes cidades chinesas, assim como suas filiais em Hong Kong, Cingapura e Taiwan, entendi que os chineses queriam ter acesso aos mesmos sites e serviços que os americanos, sem por isso depender deles” (p. 43). Por trás desse panorama, as instituições de ensino chinesas assumem um papel distinto da estimulação à inovação encontrada em Stanford, por exemplo. Wang Dan, presidente da New School for Democracy e célebre ciberdissidente chinês exilado em Taipé, onde está instalada a Universidade de Taiwan – palco do encontro assistido pelo autor do livro – acredita que a internet é uma ferramenta que contribui para o surgimento de uma sociedade civil na China. “Quando alguém participa das versões asiáticas do The Voice e vota por SMS num ídolo da televisão, está aprendendo a dar sua opinião”, defende Wang (p. 58).